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Formação Etnico Racial
26/03/2019

A escola deve ser um espaço de conhecimento, de respeito, comunhão e diversidade. O espaço pedagógico precisa necessariamente refletir a composição étnica da comunidade onde está inserido. Entretanto, não é isso que vemos na maioria das escolas particulares brasileiras, com notáveis exceções. Temos no Brasil a maior população negra fora do continente africano. Os afrodescendentes formam a maioria entre nossos cidadãos, sendo 54% da população. O número é fruto de autodeclaração, e seria muito mais expressivo se, a exemplo de outros países, considerássemos a ancestralidade e não apenas a cor da pele.

Contudo, a desigualdade étnico racial brasileira é alarmante. Os 318 anos de escravidão - em comparação, são apenas 131 anos de “liberdade" - produziram uma cultura de racismo estrutural, amparada pelo colorismo e o ideal de branqueamento. O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão. Ela era tão naturalizada que gerou uma estrutura que chegava ao absurdo ponto de escravos serem donos de seus próprios escravos. Por séculos, uma das maiores ambições do brasileiro foi simplesmente a de ser branco, ou ao menos ser considerado branco.

Somos fruto de um processo histórico que paulatinamente apagou o negro enquanto cidadão e o relegou a um papel secundário na sociedade, que até hoje reproduz as relações raciais do período escravocrata.

As culturas de matriz africana, tradições e costumes, são ainda hoje vistas como exóticas (embora presentes na vida da imensa maioria de nossos habitantes). A estética negra é relegada ao segundo plano, e engatinhamos em termos de representatividade política, artística e intelectual. Podemos contar nos dedos os parlamentares e acadêmicos negros de destaque.

A luta dos afrodescendentes para ocupar os espaços sociais, embora tenha avançado muito nas últimas décadas, tem ainda um longuíssimo caminho a percorrer. Porém, a necessidade de uma nova sociedade, livre de tensões étnicas e plena em oportunidades para todos, independente de seu tom de pele, é urgente. E o trabalho para construí-la começa, como sempre, com a educação.

Nós educadores devemos trabalhar na proposta dessa nova sociedade, que compreenda o outro na sua essência, nas diferenças e acima de tudo no respeito, na promoção do acesso e na igualdade. Assim, a necessidade de uma formação pedagógica que contemple o entendimento das relações étnico-raciais é tão urgente quanto necessária. Através dela, somos capazes de defender a cidadania, lutar pela universalidade dos direitos civis e promover o respeito pelo que é igual e ao mesmo tempo pelo que é diferente, identificando na diferença o que nos assemelha e o que nos diferencia na semelhança.

Nós do Novo Alicerce, em acordo com a Lei nº 10.639/2003, promovemos na última semana a Formação Etnico Racial em nossa escola, com o objetivo de compreendermos mais sobre a nossa história e contribuir para o d esenvolvimento do projeto anual 2019 com bases teóricas e reflexivas. No entanto, nossa decisão foi tomada não apenas no intuito de cumprir uma lei justa: acima de tudo, colocamos a proposta da lei no nosso planejamento porque o tema está ligado à vida dos alunos e por crermos numa educação igualitária, inclusiva, plural. Queremos que nossos alunos conheçam sua origem, e que seus colegas que não partilham da mesma ancestralidade possam enxergar o outro como seu igual, defendendo essa igualdade e conhecendo as diferenças culturais que permitem trocas tão ricas.

Para a Formação, tivemos o imenso prazer de contar com a professora Clelia Rosa - Mestre em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) - que veio até nós falar sobre temas como relações raciais, culturas infantis, formação de educadores e metodologias de promoção da igualdade racial. A contribuição desta excelente profissional foi inestimável e suas falas memoráveis sempre nos servirão como guia para tratar destas questões.

O resultado desta iniciativa foi fascinante, tanto internamente quanto em sua repercussão externa. Recebemos o incentivo e os elogios de diversos membros de nossa comunidade escolar, aos quais agradecemos imensamente. Porém, o que fizemos foi apenas cumprir com nossa responsabilidade enquanto cidadãos. Reiteramos que para nós o compromisso com uma educação anti-racista é fundamental e reflete os princípios da Educação Cósmica, a necessidade da Educação Libertadora e a urgência de uma Educação para a Paz. Formando educadores preparados para abordar a questão étnico-racial de forma honesta, estamos pavimentando a estrada para um Brasil igualitário através da construção de uma cidadania plena.

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